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Programa auxilia catadores de recicláveis a gerar renda e melhorar de vida

Published on 17th December 2018

PRÊMIO PROGREDIR

Iniciativa do município de Campo Largo, no Paraná, foi reconhecida como melhor proposta de inclusão produtiva na região Sul do país

Publicado em 17/12/2018 11h59


Rafael Zart/MDS

Presidente da Associação de Reciclagem Lutar e Vencer, Cláudia Márcia Moreira de França.

Presidente da Associação de Reciclagem Lutar e Vencer, Cláudia Márcia Moreira de França.

Campo Largo (PR) – Foi juntando o que as pessoas jogavam no lixo e parecia não ter valor, que Cláudia Márcia Moreira de França, de 45 anos, encontrou uma forma de reconstruir a própria vida. Depois de terminar um relacionamento difícil e do diagnóstico de depressão, a reciclagem foi o caminho para sustentar as duas filhas. Os materiais eram coletados nas ruas de Campo Largo - cidade da região metropolitana de Curitiba (PR) - e reunidos em sua casa.

Com o tempo, a vizinhança também começou a participar do trabalho. O esforço de Cláudia se transformou no sustento de outros 15 trabalhadores e assim, em 2005, surgiu a Associação de Reciclagem Lutar e Vencer, a ARLeV. Porém, o primeiro barracão da associação foi interditado pela prefeitura com risco à saúde dos trabalhadores. Com o apoio do Programa Elos da Sustentabilidade, tudo começou a mudar e a catadora finalmente a regularizar a situação da associação.

O programa busca promover a sustentabilidade socioambiental, fortalecendo ações de reciclagem, retirando os catadores das ruas e os organizando em associações. “Agora, como estamos estruturados, conseguimos tirar até mil reais por mês”, revela Cláudia.

Em 2017, o grupo conseguiu alugar um local melhor e passou a receber diretamente da empresa de coleta de lixo os materiais recicláveis e a armazená-los de forma correta. Segundo a catadora, o suporte do programa da prefeitura foi indispensável. “Eles estão sempre prontos para auxiliar a gente. Ninguém é independente, todos precisam de apoio. Por isso o nome é Elos, uma corrente”, afirma. Aos poucos, a ARLeV está conseguindo se estruturar e o próximo passo agora é buscar a independência financeira.

Iniciativa – O Programa Elos da Sustentabilidade nasceu em 2006. A primeira Central de Triagem reuniu catadores da cidade e formou a Associação Unidos da Reciclagem (Assur). “A mudança desses trabalhadores foi um grande resultado, porque eles saíram de um lugar bem precário, sem refeitório e vestiário, e se mudaram para a Central de Triagem”, conta Walquiria Menna, coordenadora técnica ambiental do programa.

A iniciativa já é modelo para outros municípios do Estado que estão em fase de organização das associações de catadores, como Carambeí e São José dos Pinhais. Depois da primeira experiência, mais três grupos começaram a receber apoio do projeto: as associações de reciclagem Campolarguense, das Amigas do Meio Ambiente e o Lutar e Vencer. Atualmente, fazem parte das associações 57 catadores, que deixaram a vulnerabilidade do trabalho nas ruas. A atuação desses recicladores permite que sejam retiradas dos aterros sanitários cerca de 187 toneladas de material reciclável por mês. As ações também apoiam o município de Campo Largo a cumprir a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

O programa atua ainda em outras frentes, como capacitação profissional dos catadores e educação ambiental da comunidade. “Sem esse tipo de orientação, o material é descartado com péssima qualidade e isso prejudica a saúde dos catadores, porque vem sujo ou contaminado”, explica a coordenadora técnica ambiental. Para o futuro, o objetivo é ampliar a metodologia de forma que mais catadores saiam das ruas de Campo Largo e comecem a trabalhar nos barracões.

Vencer o Prêmio Progredir possibilitou olhar para o horizonte e ver que atingir a meta está mais perto. “Um dos desafios é construir a segunda Central de Triagem e unir duas associações. Também precisamos de um novo barracão para um dos grupos que está em situação bem precária. Além disso, queremos por em prática a contratação por prestação de serviços, garantido que os catadores tenham um repasse da prefeitura e consigam se manter”, adianta Walquiria.

Assistência social - O atendimento socioassistencial também faz parte do trabalho do projeto. A inclusão no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal e os Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculo foram levados para dentro dos barracões de reciclagem.

De acordo com a coordenadora técnica social do Elos, Marilda Borges Andrade, com o atendimento mais acessível não é necessário que os catadores se afastem do local de trabalho, o que facilita a atuação dos profissionais do Sistema Único de Assistência Social (Suas). “A maioria desses trabalhadores está em situação de vulnerabilidade social, precisando com certeza de acompanhamento”, considera ela.

Inclusão Produtiva – Assim como o Elos da Sustentabilidade, o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) atua na inclusão produtiva com o Plano Progredir, que reúne um conjunto de ações de inclusão produtiva para auxiliar as famílias de baixa renda. O apoio de outras ações, como a de Campo Largo, resulta em mais oportunidades para a população.

De acordo com o secretário de Inclusão Social e Produtiva do MDS, Vinícius Botelho, vários projetos são um espelho do Progredir, que é justamente a junção da qualificação empreendedora e profissional para oportunidade de emprego e renda. “A inclusão produtiva é muito mais efetiva quando diferentes ações são integradas entre si, podendo potencializar umas as outras”, considera Botelho.

O Progredir oferece assistência técnica para microempreendedores ou pessoas com potencial para empreender em todo o país, além de ações de inclusão digital, educação financeira e vagas em cursos profissionalizantes, com foco nos beneficiários do Bolsa Família e demais inscritos no Cadastro Único.

* Por Pamela Santos

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